A nau «Príncipe da Beira» constitui um notável exemplo da arquitectura naval do século XVIII. Esta nau, de 44 peças, construída no Arsenal de Lisboa em 1774, estava preparada, como todas as outras, para defender-se de eventuais ataques vindos do exterior. Para tal, recorria às inúmeras peças de artilharia naval que possuía a bordo.
Em 21 de Março de 1780 – informa a «Gazeta de Lisboa» - a «Príncipe da Beira» largou o Tejo, sob o comando de Mateus Pereira de Campos, transportando consigo carga para a Índia e fazendo escala pela Baía, por conta da Companhia de Pernambuco.
Celestino Soares, nos seus «Quadros Navais», refere-se que esta nau efectuou viagem à China e que o seu comandante de então, era de tal forma temido pelos piratas, que lhe chamavam «O Tigre». Navegou para o Oriente e o Brasil, fazendo o transporte de carga e passageiros, havendo notícias de ainda se encontrar a navegar em 1790.
Construído nas oficinas do Museu de Marinha, o modelo aqui exposto é a reconstituição daquele que foi utilizado para a construção da nau. Este último, tendo pertencido à preciosa colecção da antiga Escola Naval, foi destruído pelo incêndio que se deu naquele estabelecimento, em 1916. Assim, serviram de base à sua reconstituição as fotografias de través e do painel da popa, tiradas em 1890.