O caça-minas «Augusto Castilho»

A participação portuguesa na I Grande Guerra Mundial, obrigou a um enorme esforço e investimento, de modo a dotar a Marinha e o Exército de capacidade de intervenção e de defesa do território, durante o conflito.

O caça-minas «Augusto de Castilho» constitui o exemplo da reconversão de um navio de pesca do tipo arrastão (o «Elite»), numa navio de guerra, pronto a integrar a Armada portuguesa destacado para combate. 
A sua principal função era a de patrulha de alto mar e rocega de minas, para além de efectuar a escolta de comboios de navios.

O «Augusto de Castilho» entrou para a história da Marinha através de um episódio dramático de que foi protagonista.

Foi no dia 14 de Outubro de 1918 que, encontrando-se a escoltar o paquete «São Miguel», que se dirigia da Madeira para os Açores com mais de 1500 pessoas a bordo, foi surpreendido pelo fogo alemão disparado a partir do submarino U-139, ao largo dos Açores.

O caça-minas «Augusto de Castilho», a navegar sob o comando do 1.º Tenente Carvalho Araújo, enfrentou o inimigo, colocando-se entre o paquete e o submarino, ainda que consciente da desproporção de armamento entre as duas unidades de guerra.

Visivelmente em desvantagem, este pequeno caça-minas improvisado conseguiu, através da sua intervenção, pôr a salvo o paquete «São Miguel» que se afastou do cenário de guerra, chegando incólume ao seu destino. Tal acção resultou, no entanto, na perda do «Augusto de Castilho» e na morte do seu comandante, de um aspirante a oficial e de quatro praças.

De registar a admirável capacidade de sobrevivência de uma tripulação que, após um violento combate, conseguiu resgatar-se numa baleeira, tendo-se deslocado a remos durante seis dias,  em pleno Atlântico até alcançar, finalmente, a ilha de São Miguel.

No pavilhão das Galeotas pode apreciar a embarcação salva-vidas, a bordo da qual se salvou o grupo de náufragos do caça-minas «Augusto de Castilho».

Já nesta sala, um pequeno núcleo expositivo relembra este episódio da história da Marinha de Guerra portuguesa do século XX.

Uma enorme e expressiva pintura ilustra este combate, transmitindo o caos e o sofrimento que caracterizam qualquer ataque, e assinalando o momento da morte de Carvalho Araújo e dos cinco elementos da sua guarnição. Ao longe avista-se um submarino, enquanto no mar lutam vários náufragos.

Numa vitrina, algumas fotografias e textos ajudam a reconstituir este episódio, exibindo ainda as condecorações atribuídas ao 1.º Tenente Carvalho Araújo. Aqui, expõem-se algumas munições de artilharia utilizadas durante o confronto entre o caça-minas português e o submarino alemão, bem como a bandeira nacional que seguia a bordo do «Augusto de Castilho».

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