A porcelana entra nos hábitos europeus através do chá, do café e do chocolate, bebidas exóticas que exigiam recipientes mais adequados do que a faiança e a prata. Esta é uma outra dimensão do fenómeno globalizante dos Descobrimentos.
Produto do caulino (uma argila plástica), suportando altas temperaturas, a porcelana, com o seu aspecto translúcido e fino, rapidamente se torna carga obrigatória das naus da Carreira da Índia. Na nau, é acondicionada no último porão, garantindo não só a sua segurança durante o transporte, como contribuindo para a própria estabilidade do navio.
A porcelana brasonada remonta ao século XVI, aquando das primeiras encomendas em porcelana Azul e Branco. Torna-se um produto da moda, difundido pelos portugueses que enviavam para a China os desenhos – heráldica, abreviaturas ou outros – para serem pintados à mão, em peças isoladas ou em serviços completos. Curiosamente, não eram raros os erros que se encontravam nos desenhos ou nas palavras, facto que se ficava a dever ao desconhecimento e à dúvida dos artistas chineses.
No entanto, só no século XVII, é que a porcelana, transportada em grandes quantidades, se torna um produto mais acessível. Será sob a égide da Companhia das Índias holandesa, que a porcelana se tornará imprescindível nos serviços de mesa europeus.